Apesar de o Estado e Governo moçambicanos estarem constantemente a mostrar preocupação no que concerne ao acesso ao poder pelas mulheres como, por exemplo, na política da discriminação positiva e a definição e implementação de estratégias de género sectoriais, a agenda política das mulheres ainda não constitui prioridade absoluta na agenda de todos os Partidos Políticos existentes no país, das lideranças autárquicas e dos governos, particularmente ao nível local.
Nota-se que:
- Os processos eleitorais carecem ainda de um reconhecimento e integração plena das mulheres e raparigas em todas as suas etapas;
- O patriarcado e a cultura existente na família e na esfera pública impede que as mulheres tenham uma maior participação, voz e visibilidade política;
- acesso ao poder, particularmente a circulação de informação e a distribuição de recursos e tarefas na esfera política tem como fundamento uma concepção da mulher complementar à acção masculina;
- As mulheres, apesar de constituírem a maioria da população, são as que menos tem acesso aos diferentes recursos como educação, formação, informação, saúde, terra, água, emprego, crédito e posições e processos de tomada de decisão, incluindo sobre aspectos da sua própria vida;
- A disciplina partidária, por vezes, constitui uma barreira para a participação plena das mulheres como defensoras dos direitos humanos das mulheres;
- Existe um grande distanciamento entre os conteúdos dos discursos políticos e a implementação dos programas dos lideres políticos/decisores;
- Número de mulheres existentes no Conselho de Ministros e na Assembleia da República não espelha a realidade ao nível local, onde o número de mulheres é quase nulo.
É neste contexto que surge o Programa Mulher e Eleições que pretende Tornar a Agenda das Mulheres numa Agenda Política Nacional, tendo como objectivos específicos:
- Aumentar o número de mulheres nos órgãos de decisão, particularmente ao nível local (provincial, distrital, municipal).
- Influenciar para que as mulheres na tomada de decisão assumam a agenda das mulheres.
- Aumentar o número de mulheres eleitoras a fazer escolhas de forma deliberada, consciente e posterior monitoria do trabalho dos eleitos.